APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

Notícia

 

25/04/2017
Resíduo do processamento de macroalgas marinha pode ser utilizado na produção de biocombustíveis e biofármacos
O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) desenvolveram tecnologia inédita para a obtenção de um hidrolisado de glicose por meio do processamento industrial de macroalgas marinhas. Além de diminuir os resíduos na indústria de processamento de algas marinhas, a tecnologia permite a produção de uma matriz energética passível de uso na fabricação de biocombustível, biofármacos, enzimas, antibióticos e alimentos.

A pesquisadora do Instituto de Pesca, Valéria Cress Gelli, explica que as macroalgas marinhas Kappaphycus alvarezii são processadas para a extração da substância conhecida como carragenana, ficocolóide muito utilizado como matéria-prima de espessante e estabilizante nas indústrias de diversos segmentos como alimentos, cosméticos e fármacos. “A hidrólise de glucana em glicose produzido a partir do resíduo do processamento da carragenana de algas marinhas é mais uma alternativa de matriz energética associada à produção de biocombustíveis e de produtos químicos, por meio de fontes renováveis”, afirma a pesquisadora do IP.

Além de permitir a obtenção de um hidrolisado rico em glicose a partir do “bagaço” do processamento da macroalga, a tecnologia traz a vantagem de proporcionar uma da taxa de conversão da glucana em glicose de 100%, o que permite a redução de uma etapa para a produção de biocombustível. “A taxa média de conversão da cana-de-açúcar é de 20%, quando não há nenhum tipo de pré-tratamento prévio. Essa caraterística é mais uma vantagem ao uso do macroalga”, explica Fernando Masarin, pesquisador da Unesp.

As pesquisas para o desenvolvimento da tecnologia são realizadas desde 2013 com aporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O pedido de patente foi depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), em março de 2017. Os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) do IP e da Unesp estão à disposição para discutir o licenciamento da tecnologia. O telefone para contato com o NIT IP é (11) 3871-7561.

Macroalgas pode ser fonte de renda aos pescadores

A espécie K. alvarezii é a macroalga mais cultivada no mundo e pode ser uma importante fonte de renda para os pescadores artesanais de Ubatuba, Ilhabela e Caraguatatuba, municípios localizados no litoral Norte de São Paulo.

De acordo com Valéria, a macroalga tem uma taxa de crescimento de mais de 8% ao dia. “Um pedaço de 100 gramas dessa alga pode render um quilo ao final de um mês, aproximadamente. Além da extração da carragenana, de biocombustível e de fármacos, ela pode ser utilizada na produção de ração e de biofertilizante”, explica a pesquisadora.

O método de cultivo é considerado simples e é necessário pouco investimento para iniciar a produção da macroalga, que atualmente é cultivada em mais de 20 países. No Brasil, o cultivo comercial iniciou-se em 1998. A produção atual é de 730 toneladas por ano e se concentra no Estado do Rio de Janeiro.

A espécie é exótica e sua produção é aprovada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) no litoral paulista e carioca, por meio da Instrução Normativa n° 185/ 2008. “O material foi introduzido no Brasil em 1995 e todos os estudos classificaram a espécie como baixo risco de bioinvasão. Atualmente, novos estudos de monitoramento ambiental estão sendo desenvolvidos com parceria com Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP)”, explica Valéria.

Pesquisas com o extrato da macroalga como estimulante agrícola estão sendo realizadas pelo Instituto de Pesca (IP) em parceria com a Faculdade de Engenharia Agrícola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Os resultados têm demonstrado que a algicultura (cultivo de algas) pode ser uma alternativa viável do ponto de visto econômico, social e ambiental para maricultores e que a atividade pode ser desenvolvida de forma ordenada e responsável no litoral norte paulista”, afirma a pesquisadora. O Instituto de Pesca desenvolve ainda trabalho para incluir a farinha da macroalga na produção de almôndegas de peixe, para aumentar os compostos nutricionais dos alimentos oferecidos na merenda escolar.

Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa APTA

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