APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

Notícia

 

25/04/2017
Pesquisa do IAC no desenvolvimento de novos porta-enxertos busca controlar o HLB
 As pesquisas do Instituto Agronômico (IAC-APTA) sobre porta-enxertos que podem contribuir no controle do Huanglongbing (HLB) foram apresentadas no 18º Dia do Limão Tahiti, realizado em 6 de abril de 2017, em Pindorama, interior paulista, onde foi exposto um panorama sobre a cultura. A pesquisadora do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mariângela Cristofani Yaly, explicou que o porta-enxerto pode induzir a redução do tamanho das copas, viabilizando o plantio mais adensado, o que facilita os tratos culturais, como a aplicação de defensivos. “Uma planta pequena produz menos, mas quando há mais plantas por hectare ocorre uma compensação na produção”, afirmou.

Atualmente, há cinco porta-enxertos desenvolvidos pelo IAC e registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que estão em fase de avaliação. O Centro de Citricultura do IAC realiza pesquisas para o desenvolvimento de novos porta-enxertos derivados do cruzamento entre Citrus sunki, que é tolerante à seca e suscetível à gomose de Phytophthora e Poncirus trifoliata, que  suscetível  à seca e tolerante à gomose de Phytophthora.

Entre os fatores que afetam a produção, a pesquisadora destaca o reduzido número de variedades, a estreita base genética e a monocultura, que provocam a alta vulnerabilidade do pomar a doenças e pragas. “O Centro de Citricultura recomenda que o produtor plante uma amostra de novos porta-enxertos para testar e verificar qual é a melhor opção para ele renovar o pomar”, disse.

A pesquisadora explicou que há uma alta incidência de HLB na região Sul do Estado de São Paulo. Atualmente, os pomares paulistas produzem 76% do limão brasileiro, cultivados por pequenos produtores. Durante sua apresentação, Mariângela afirmou que os principais desafios da citricultura estão relacionados às mudanças climáticas e doenças.

O evento contou com a participação de mais de 200 pessoas. Para o engenheiro agrônomo, Robson Zambon, o Centro de Citricultura mostra as tendências do setor. Na avaliação de Hélio Tribune, também engenheiro agrônomo, o evento colabora para a disseminação de novos conhecimentos e cenários. “Hoje, o limão está substituindo a laranja; vim para esse evento para ver as pesquisas na área e o panorama econômico”, disse.

Bruna Aparecida Bettini, mestranda pela Universidade Federal de São Carlos (UFScar), participou pela quarta vez do evento. “Nesta edição, trabalhei na organização, mas participo desde a minha iniciação científica que fiz no IAC”.

O público do evento teve acesso a apresentações sobre poda, alerta fitossanitário e recomendações para cultura. O palestrante Sérgio Ricardo Sanches do Nascimento, do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), falou sobre as dez recomendações para o controle do HLB, que são: instalar ou renovar pomares com  mudas de viveiros protegidos, adotar práticas para antecipar a produção e ter alta produtividade, inspecionar os pomares frequentemente e eliminar todas as plantas com sintomas de HLB, monitorar a população de psilídeo e fazer o controle rigoroso do inseto, sobretudo nas bordas do pomar. Recomenda-se também ser parceiro do produtor vizinho e participar do manejo regional. “Os produtores têm avisado os vizinhos e técnicos por meio de aplicativos de celular”, disse.

As regiões no Estado de São Paulo com alerta de HLB são: Avaré, Araraquara, Santa Cruz do Rio Pardo, Bebedouro, Casa Branca, Lins, Frutal, Rolândia, Paranavaí, Novo Horizonte e Franca.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, esses eventos incentivam a transferência de conhecimento sobre cultivares e tecnologias desenvolvidas pelo IAC, que são diretrizes estabelecidas pelo governador Geraldo Alckmin. “O Centro de Citricultura é um grande gerador e disseminador de tecnologias e informações, que contribuem ricamente com o setor citrícola”, disse.

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