APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

Notícia

 

18/09/2017
Estudo do IAC sobre irrigação por gotejamento em laranjeiras mostra ganho de produtividade de até 100%
O Instituto Agronômico (IAC-APTA) desenvolveu pesquisas sobre irrigação em laranjeiras, no município de Casa Branca, interior paulista. O objetivo foi quantificar o consumo de água da cultura na região, importante informação para fazer a gestão de recursos hídricos e o planejamento do uso de água na propriedade. Utilizando irrigação localizada, o estudo foi direcionado para avaliar o efeito da técnica na produtividade e qualidade dos frutos no pomar, além de analisar também o efeito de diferentes percentuais de área molhada na produção.

Instalado em pomar de plantas adultas, o estudo apresentou resultado positivo, independentemente da área molhada. De acordo com a pesquisadora do IAC, Regina Célia de Matos Pires, mesmo irrigando apenas 8% da área, houve ganho de produtividade. O salto foi de 100% no primeiro ano de experimentos, que coincidiu com o período de déficit hídrico acentuado, condição que explica o resultado tão expressivo para laranjeiras. “Não é comum em citros, no Estado de São Paulo, o aumento de 100% de produtividade, mas ocorreu naquele experimento em função da condição climática do período, que havia sido muito seco”, explica. No pomar onde foi desenvolvido o estudo, o cultivo de laranjas sempre havia sido feito em sequeiro.

Nas culturas perenes, o primeiro ano de irrigação pode não proporcionar resultado positivo. Porém, na citricultura, o déficit hídrico criou condição favorável. No segundo ano, o ganho foi de 20% na produtividade. A diferença no resultado de produtividade nos dois ciclos pode ser atribuída à alternância na produtividade. “A diferença é atribuída também ao fato de, nas plantas de sequeiro, a carga pendente para colheita estar bem menor que nas plantas irrigadas e, assim, na época do florescimento, que ocorreu antes da colheita, as plantas em sequeiro investiram as  reservas para o próximo ciclo produtivo”, completa Regina.

O aumento médio de 30% na produtividade proporcionado pela irrigação nos citros tem sido observado na região paulista dos municípios de Araraquara, Matão e Casa Branca. “No período da pesquisa, o sistema radicular da planta se adaptou ao pequeno volume molhado, mesmo em situação de estresse hídrico intenso”, diz.

Os resultados mostraram que os ganhos podem ser alcançados apenas com uma linha de tubogotejador, por linha de plantio, sistema que representa menor custo para o produtor. Segundo Regina, no Brasil, é adotada a irrigação por gotejamento em apenas uma linha. A pesquisa buscou comprovar se é segura ou não a adoção deste sistema e também avaliar o consumo de água pelas plantas em condições irrigadas, a fim de estabelecer parâmetros para recomendação de manejo hídrico na citricultura.

As irrigações foram diárias e as fertirrigações semanais. Esse sistema permite usar equipamento com menor custo para o produtor. “A porcentagem de área molhada variou de 8 a 29 %, considerando a área total e de 11,5 a 42,1%, considerando a área de projeção da copa da laranjeira. Os resultados positivos foram alcançados com os menores valores de área molhada”, explica.

A pesquisa foi conduzida de 2006 a 2008, em parceria com a Citrosuco e Finep-Netafim, por intermédio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag).

Planejamento de irrigação e do uso de água

O planejamento de irrigação é feito com base na população de plantas, considerando se a cultura é perene ou anual, a necessidade da espécie e da variedade cultivada. “Para fazer planejamento de irrigação é preciso conhecer o consumo de água pelas plantas para viabilizar a gestão dos recursos hídricos na propriedade e nas bacias hidrográficas. Trata-se de informação primordial para fins de liberação de outorgas para uso da água”, explica a pesquisadora do IAC.

Essas informações são relevantes para os pequenos produtores, que produzem frutos para mesa e precisam do controle hídrico para garantir a qualidade do produto. Para os grandes citricultores, os dados são adotados em planejamento do uso de água para obter licença no Estado de São Paulo e manejo da água com promoção de economia de água e energia.

Depoimento

Valdir Juarez Giacomelli, engenheiro agrônomo em nutrição e irrigação da Citrosuco Matão. A Citrosuco é a maior empresa mundial de suco de laranjas.

“A parceria estabelecida entre a Citrosuco e o Instituto Agronômico (IAC), em estudo sobre irrigação em laranjeiras, em Casa Branca, sem dúvida alguma, compõe trabalho que é de suma importância, uma vez que nos trouxe respostas quebrando alguns paradigmas, como por exemplo, ser possível melhorar a produtividade em uma região com alto índice pluviométrico, como nas regiões do Sul do Estado. Obviamente a porcentagem de acréscimo é menor que em uma região de baixo índice pluviométrico, mas é possível. Além disso, também foi observado que é possível incrementar a produtividade sem perder a qualidade.

O estudo sobre irrigação mostrou resultado positivo em pomar de plantas adultas, independentemente da área molhada – com irrigações diárias e fertirrigações semanais. Com os resultados obtidos no experimento pudemos aprimorar o manejo da irrigação em nossos pomares e implantar novos projetos com mais segurança. A informação comprovada na pesquisa confirmou o que a Citrosuco já conhecia e nos trouxe novos direcionamentos. Confirmou com relação a número de linhas de gotejo e o coeficiente da cultura (Kc) a ser utilizado em um pomar adulto. Além disso, trouxe novo direcionamento com relação à lâmina diária que podemos utilizar, que antes tínhamos como valor mínimo 4 mm e atualmente podemos observar que conseguimos bons resultados com lâmina menor. Isto proporciona reduzir o uso da água com economia de energia, tornando-se assim uma atividade mais sustentável.

O trabalho colaborou com o planejamento de irrigação desenvolvido pelo grupo. Como exemplo, a pesquisa veio confirmar que uma linha de gotejo é suficiente contra duas linhas de gotejo, que era uma dúvida no início das instalações dos projetos de irrigação. No início, os projetos eram instalados com uma linha, mas de uma forma que fosse possível aumentar para duas linhas. O trabalho confirmou uma observação de campo que tínhamos. Hoje em dia, podemos dizer que com duas linhas a área molhada agronomicamente recomendada é maior, mas economicamente não traz resultado de aumento de produção significativo. Isso permite economia significativa na instalação dos projetos, pois com uma linha é suficiente para atingirmos os resultados.

A parceria continua entre o IAC e a Citrosuco. Temos outro projeto sendo desenvolvido em conjunto e outras propostas a serem analisadas (experimento em outra fazenda e na iminência de iniciarmos mais alguns projetos). Além deste trabalho, temos outro de irrigação com a parceria do IAC e vários outros experimentos também junto ao Instituto, que nos auxiliou a entender qual é o momento mais adequado para iniciar a irrigação. Isso nos proporcionou o desenvolvimento de métodos que nos tem indicado o momento em que a planta já tenha passado pela indução e atingido o seu estresse hídrico, momento este importante para se ter sucesso com irrigação em citros.

Por Carla Gomes MTb 28156

Assessoria de Imprensa – IAC

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