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Notícia

 

30/10/2017
Obra editada pelo IB, Unesp e Universidade Mogi das Cruzes reúne informações sobre formigas em ambientes urbanos
Elas estão em todos os lugares: na cozinha, no quintal, nos eletrodomésticos, nos hospitais, nos parques e jardins. Estamos falando das formigas, inseto com mais de 16 mil espécies conhecidas e que podem causar benefícios e problemas no campo e nas cidades. Para tratar sobre a ocorrência desse inseto, 60 pesquisadores do Brasil e do exterior produziram o livro “Formigas em ambientes urbanos no Brasil”, que tem como uma das editoras a pesquisadora do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Ana Eugênia de Carvalho Campos. O download gratuito do e-book pode ser feito no link http://www.canal6.com.br/livros_loja/Livro_Formigas_em_ambientes_urbanos.pdf

A obra foi lançada em 27 de outubro de 2017, durante o XXIII Simpósio de Mirmecologia, em Curitiba, Paraná. Além de Ana Eugênia, do IB, editam o livro os pesquisadores Odair Correa Bueno, da Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), e Maria Santina de Castro Morini, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). A publicação conta com 690 páginas, divididas em seis partes: Caracterização geral, Formigas em ambientes urbanos e biodiversidade, Pesquisas sobre formigas em ambientes urbanos no Brasil, Formigas em ambientes urbanos no cotidiano, Formigas em ambientes urbanos como tema de ensino e cultura e Controle. 

A obra tem o objetivo de reunir a informação científica gerada por pesquisadores brasileiros de todas as regiões do País. “A intenção foi reunir o conhecimento acumulado neste assunto, com importância ecológica, econômica e de saúde pública. Os autores apontam em seus capítulos o que deve ser ainda estudado. Certamente é um livro de cabeceira para os mirmecólogos, isto é, os estudiosos das formigas”, afirma a pesquisadora do IB.

Ana Eugênia explica que os locais onde ocorre atividade humana, principalmente áreas urbanizadas, constituem ambientes com fatores abióticos próprios, ou seja, que favorecem algumas espécies de animais em detrimento de outras, especialmente pela grande concentração humana e disponibilidade de água e alimento. Dentre as várias populações de animais que habitam as áreas urbanizadas, estão centenas de espécies de formigas. Muitas causam apenas incômodos, enquanto outras ocupam equipamentos eletrônicos, ferroam ou são vetores de microrganismos patogênicos que podem afetar o homem e seus animais. Algumas espécies são invasoras e causam impacto ecológico, promovendo a diminuição da diversidade.

Segundo Ana Eugênia, existem mais de 16 mil espécies conhecidas de formigas no mundo e os pesquisadores acreditam que outras quatro mil ainda não foram catalogadas. No Brasil, ocorrem cerca de 2.500 espécies. 10 delas são mais comuns no ambiente urbano: formiga fantasma, formiga louca, formiga carpinteira, formiga lava-pés e algumas espécies de formigas cortadeiras e nativas.

“As formigas cortadeiras também ocorrem em área urbana, tanto as saúvas quanto as quenquéns. Elas cortam as plantas de jardins, praças e pomares. As outras espécies são onívoras, ou seja, comem de tudo: alimento humano, ração de cachorro e de gato, doce e alimentos ricos em óleos e proteínas. Elas adoram pizza, bolos e gemas de ovos cozidas, por exemplo”, explica Ana Eugênia.

Pequeninas, mas causam estragos gigantes

Danos econômicos significativos podem ser causados pelas formigas mesmo em ambientes urbanos. As cortadeiras, por exemplo, causam impacto direto nas plantas cultivadas em praças, parques e jardins.

Ninhos antigos de saúvas, localizados próximos a construções humanas, podem ocasionar abalos estruturais, promovendo rachaduras e até mesmo risco de queda em prédios, pontes, pontilhões, mausoléus e túmulos, além de problemas em estradas, rodovias e represas. A explicação está na remoção intensa de terra do subsolo, pelas formigas que realizam a escavação para confecção de câmaras para abrigar o fungo, usado na alimentação, e para depósito do lixo gerado na colônia.

“Algumas espécies de formigas são atraídas por correntes elétricas. Uma vez, atendemos no Instituto Biológico uma grande empresa que teve seu sistema totalmente parado, de forma misteriosa. Identificamos que a paralização tinha ocorrido devido às formigas que corroeram a fiação elétrica”, conta Ana Eugênia.

Formiga e a saúde pública

Muita gente acha que as formigas são inofensivas e até mesmo limpas. Mas não é bem assim. De acordo com a pesquisadora do IB, apesar de viverem muito bem em ambientes limpos, as formigas podem levar bactérias e patógenos de um lugar para o outro. “As infestações em hospitais, por exemplo, são consideradas um perigo potencial à saúde pública, pois as formigas atuam como vetores de bactérias. Comparadas a baratas, moscas e mosquitos, as formigas, devido a seu tamanho, apresentam probabilidade menor de ser vetor dos microrganismos, porém, justamente devido ao seu tamanho, conseguem entrar em todos os locais, mesmo aqueles totalmente esterilizados”, explica Ana Eugênia.

Algumas espécies possuem ainda ferrão, que está associado a uma glândula de veneno. Ao ferroar as pessoas, podem causar desde dor local, até alergias severas, chegando ao choque anafilático em pessoas sensíveis ao veneno.

Controle

Para evitar a ocorrência das formigas urbanas, Ana Eugênia recomenda deixar o ambiente limpo de alimentos e corrigir frestas e vazamentos. Para o controle, o ideal, segundo a pesquisadora, é o uso de iscas tóxicas para as formigas urbanas e para as formigas cortadeiras. 

A solução caseira de água e detergente pode ser aplicada com o auxílio de uma seringa com agulha em locais por onde as formigas entram e saem. A aplicação pode ser feita sempre que a ocorrência das formigas for observada.

Outra dica é o uso de repelentes naturais, como folhas de louro, cravos da índia e salsinha. “No açucareiro pode ser feito um sachê com cravos da índia por exemplo. Nos temperos, esse sachê deve ser trocado a cada duas ou três semanas, pois perde a eficácia”, explica. 

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, a obra é importante para disseminar conhecimentos técnicos e científicos sobre um problema cotidiano. “Além de agrupar os trabalhos científicos sobre as formigas, o livro transfere conhecimentos para as pessoas e aproxima as pesquisas científicas da população, uma recomendação do governador Geraldo Alckmin”, afirma.

Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA

(19) 2137-8933

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