APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

Notícia

 

27/04/2018
APTA leva tecnologias para pequenas propriedades na Agrishow 2018
Equipamento inédito permite produção de plantas aromáticas e medicinais dentro de casa

Um equipamento inédito que permite a produção dentro de casa de plantas aromáticas e medicinais. Este é o objetivo de projeto realizado pela startup Aeropônica, Instituto Agronômico (IAC-APTA) e APTA Regional. O trabalho visa o desenvolvimento de um equipamento portátil para produção de plantas dentro de casa, sem o uso de solo. O projeto recebeu financiamento de R$ 160 mil do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Na Agrishow 2018, em Ribeirão Preto, será apresentado o primeiro protótipo do equipamento, com a produção de hortaliças folhosas, pimentas e plantas aromáticas, além de batata-semente. “Por meio da utilização de luz artificial e nebulização é possível produzir diversos tipos de planta, inclusive aquelas que são utilizadas no dia a dia para o preparo das refeições. O principio é a utilização da técnica chamada de aeroponia, desenvolvida em São Paulo pela APTA para a produção comercial de batata-semente”, explica Thiago Factor, pesquisador do IAC.

A aeroponia é uma vertente da hidroponia e consiste no cultivo de planta sem a necessidade de solo ou substrato. No sistema, as raízes ficam suspensas no ar e a planta é alimentada por nebulização de gotículas de água carregadas de nutrientes. A APTA adaptou a tecnologia para produção de batata-semente em São Paulo. Com ela, é possível a produção de quatro vezes mais batata-semente, utilizando 90% menos de água. “Esta é uma tecnologia já adotada por alguns produtores paulistas. Estamos agora adaptando para que ela seja utilizada em domicílios, por pessoas que nunca cultivaram uma planta”, afirma o pesquisador.

A parceria entre a startup, o IAC e a APTA Regional surgiu após o proprietário da Aeropônica, Alex Humberto Calori, finalizar o doutorado na Pós-Graduação IAC em Agricultura Tropical e Subtropical e o estágio na unidade de pesquisa de Mococa. “Percebi que havia demanda de produtos customizados de hidroponia e aeroponia para ambientes indoor. O conhecimento obtido na época do estágio, no mestrado e doutorado no IAC contribuíram para consolidar meus conhecimentos nesses dois sistemas de produção, o que foi fundamental para o desenvolvimento deste produto inovador”, diz Calori.

Este foi o primeiro projeto oriundo da Pós-Graduação do IAC a receber financiamento do PIPE-Fapesp. “Além da pesquisa básica, a Pós-Graduação do Instituto Agronômico trabalha com pesquisa aplicada, que visa o desenvolvimento de produtos e processos passíveis de obtenção de propriedade intelectual e de serem trabalhados em uma empresa”, explica Luis Felipe Villani Purquerio, pesquisador do IAC que foi orientador de Calori no Mestrado e Doutorado.

Batata-semente

De acordo com Factor, a produção de batata-semente não precisa ser feita em ambiente indoor, pois encareceria o produto. “Na Agrishow vamos apenas usar o equipamento para mostrar o princípio de produção, que é feito da mesma forma, mas não em um ambiente fechado”, explica.

A vantagem de se produzir batata-semente no sistema aeropônico está em a planta ficar com o sistema radicular exposto, o que permite a colheita de batatas-semente de maneira escalonada, ou seja, fazendo a colheita no momento em que os tubérculos chegarem ao tamanho desejado pelo agricultor.

No sistema convencional, com solo e substrato, cada planta produz no máximo 10 tubérculos. Na aeroponia é possível produzir 40 por planta. “Essa alta produtividade é muito interessante para as empresas produtoras de semente de batata. Os custos de implantação do sistema aeropônico são superiores aos sistemas tradicionais, porém, a economia de água e a alta produtividade, o faz ser mais vantajoso e rentável”, afirma Factor.

Outra vantagem do sistema está na produção de batata-semente com sanidade. Factor explica que, atualmente, o Brasil é importador de sementes de batata. Cerca de seis mil toneladas de batata-semente, no valor de 8 milhões de dólares, são importadas por ano de países como Holanda, Argentina, Canadá, Estados Unidos e Chile.

“Essas batata-semente importadas podem trazer pragas e doenças que não temos no Brasil e prejudicar a produção nacional. Além disso, estamos enviando nosso dinheiro para fora. A ideia é que as empresas de sementes brasileiras utilizem o sistema para produzir mais batatas-sementes e disponibilizar aos agricultores”, diz o pesquisador. A empresa CBA Sementes, de Divinolândia, interior paulista, utiliza o sistema proposto pela APTA desde 2016.


APTA seleciona clones de café robusta para cultivo em São Paulo

A fama de que o café robusta tem pouca qualidade está sendo deixada para trás. Hoje, cafés dessa espécie de boa qualidade têm sido procurados pela indústria para a produção de blends, usados principalmente na indústria de cafés espresso, cápsulas e outras bebidas à base de café. Pensando em incrementar a renda dos pequenos agricultores e incentivar a diversificação das propriedades, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, fará a exposição de suas pesquisas com a cultura durante a Agrishow 2018, em Ribeirão Preto.

Segundo o pesquisador do Polo Regional de Adamantina da APTA, Fernando Takayuki Nakayama, a Agência, em conjunto com o Centro de Café do Instituto Agronômico (IAC-APTA), desenvolve há 10 anos pesquisas para selecionar clones de cafés robusta adaptados às condições paulistas. A ideia é incentivar o cultivo de alta qualidade para atender a demanda das indústrias de torrefação. “Atualmente, os maiores produtores desse tipo de café são Espirito Santo e Rondônia. Porém, grande parte da produção desses Estados vem para São Paulo para ser processada pelas indústrias ou para ser exportada. Diante desse cenário, por que não produzir robusta em terras paulistas?”, questiona o pesquisador.

Durante a Agrishow, a Agência levará plantas de café robusta e máquinas de café, que servirão blends de robusta e arábica, para desmistificar a fama de má qualidade da espécie.

“Em 2008, trouxemos os melhores materiais de robusta cultivados no Espírito Santo para São Paulo. Selecionamos seis clones e fizemos o cruzamento com a IAC 2258, desenvolvido pelo Instituto Agronômico. Esperamos disponibilizar para o setor um novo clone em breve”, afirma.

O trabalho tem sido realizado em conjunto com cinco agricultores familiares do Oeste Paulista, uma região com temperaturas médias de 23ºC e altitude de 400 metros, condições ideias para o cultivo do robusta. “O café arábica não vai bem nessa região, pois deve ser cultivado em altitudes mais elevadas, pois esta espécie se originou em altitudes entre 1500 e 2000 metros, além de temperaturas mais amenas. O robusta traz uma nova opção de renda para o pequeno agricultor da região de Adamantina. Faz parte do projeto também a empresa Treviolo Café, que financiou as pesquisas”, explica Nakayama.

Qualidade elevada

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a demanda das empresas de torrefação por grãos robustas cresceu nos últimos anos devido ao aumento nas percentagens de blends. Em 2016, a proporção era de 10% a 15% de robusta, hoje chega a 35% 40% com tendência de aumento no Brasil. O cenário também se repete em outros países, como Inglaterra e China que triplicou o consumo nos últimos seis anos.

“O arábica sempre foi visto como um café de alta qualidade e o robusta de baixa, usado apenas para a produção de café solúvel. Atualmente, essa situação tem mudado. As grandes empresas de torrefação, que produzem café de qualidade, têm feito blends de robusta e arábica. Em 2010, por exemplo, a Nespresso lançou o Kazaar, um café considerado intenso e denso e produzido com mais de 70% de robusta. Isso foi um marco para o setor, pois mostrou que o robusta pode ter boa qualidade”, afirma o pesquisador da APTA.

Nakayama explica que o café robusta tem como característica intensidade de sabor e cremosidade, por isso, tem sido tão procurado pela indústria de capsulas, já que além dos blends com arábica, também pode ser usado para os chamados “café 3 em 1”, como os cappuccinos.

Com a demanda aquecida, o preço pago aos produtores também cresceu, principalmente para os cafés produzidos em São Paulo. “Os produtores paulistas conseguiram vender sua produção a um valor acima da cotação geral do Espírito Santo. Isso se deve à melhor qualidade, mas também à logística. Para trazer o robusta do Espírito Santo e de Rondônia para o São Paulo, as empresas chegam a gastar até R$ 100 por saca. Com isso, elas preferem pagar mais por um produto de boa qualidade produzido em São Paulo”, explica o pesquisador.

Manejo ainda é gargalo da produção

O manejo do robusta ainda é considerado um gargalo, segundo Nakayama. As plantas vegetam mais, possuem mais folhas e brotos, necessitando de mais mão de obra, além da colheita não ser totalmente mecanizada. “Por isso, estamos focando nosso trabalho nos pequenos produtores, já que a colheita do café não coincide com a de outras culturas e a produção pode ser estocada podendo esperar o momento oportuno para a comercialização, se tornando uma ótima alternativa na diversificação produtiva da propriedade”, afirma. Novas áreas pilotos estão sendo acompanhadas em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI – EDR Dracena).

 

APTA apresentará etapas para a produção de mudas de seringueira em bancada suspensa durante Agrishow

Tecnologia inovadora é viável e traz garantia genética e sanitária ao heveicultor

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, apresentará durante a Agrishow 2018, em Ribeirão preto, as etapas para a produção de mudas de seringueira em bancada suspensa e substrato. A demonstração auxiliará os produtores paulistas de seringueira a atender a Resolução 23 da Secretaria de Agricultura, que exige a produção de mudas neste modelo de produção, por proporcionar melhor qualidade fitossaniatária.

A produção de mudas de seringueira em bancada suspensa e substrato tem como vantagem a melhor qualidade fitossanitária das mudas e a rastreabilidade genética. A tecnologia evita a disseminação de pragas consideradas limitantes à cultura, como os nematoides, e permite melhor pegamento das mudas em plantio de campo. “Quando se utiliza muda de chão, a porcentagem média de replantio é em torno de 20%. Ao usar muda de bancada suspensa esse índice cai para 2%. As mudas de bancada são de melhor qualidade genética e sanitária, resultando em seringais mais homogêneos e que entram em sangria mais rapidamente”, afirma Elaine Cristine Piffer Gonçalves, pesquisadora do Polo Regional de Colina da APTA.

A Resolução 23 da Secretaria foi criada após um trabalho realizado pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal, detectar que 74% das amostras das raízes das mudas de seringueira dos viveiros de chão estavam contaminadas com os nematoides Prtatylenchus  sp  e Meloidogyne spp. De acordo com Elaine, estas pragas são responsáveis pela diminuição da produção e associadas a doenças que causam morte de plantas adultas, resultando em grandes prejuízos ao heveicultor. “A maior forma de disseminação dos nematoides, inclusive para áreas livres destas espécies, tem sido por meio da comercialização de mudas de seringueira produzidas no chão”, diz.

Desde 2016, os viveiristas do Estado de São Paulo só podem produzir mudas em bancada suspensa e substrato, em respeito à Normativa Estadual. “Cerca de 20 viveiristas paulistas estão utilizando este processo de produção e colhendo os bons frutos de seu trabalho. O próprio heveicultor, devido às inúmeras vantagens que este tipo de muda oferece, está procurando este tipo para plantio”, explica a pesquisadora.

Durante a Agrishow, a Agência explicará aos heiveicultores e vivieiristas o passo a passo do sistema e levará plantas de seringueira, que serão usadas para demonstrar como fazer a sangria, altura de abertura do primeiro painel de sangria, sangrias subsequentes e técnicas de balanceamento de painel, indicado para minimizar risco de secamento e aumentar a produção.

Diagnóstico

Em 2016, Elaine e o presidente da Câmara Setorial de Borracha do Estado de São Paulo, Luciano Della Nina, elaboraram um questionário aplicado em 90% dos viveiristas de mudas de bancada suspensa, com a colaboração do pesquisador do Polo Regional de Pindorama da APTA, Antonio Lúcio Mello Martins, e do técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Carlos Alberto De Luca. O trabalho originou um diagnóstico sobre a produção de mudas de seringueira em bancada suspensa, em 2017.

O diagnóstico foi feito após muitos produtores mostrarem-se relutantes a mudar o sistema que vinha sendo utilizado há 40 anos na heveicultura. “Fomos ao campo ver as experiências dos produtores com esse novo modelo de produção. O Estado de São Paulo é pioneiro nesse sistema e queríamos analisar se haviam produtores conseguindo produzir e quais as dificuldades encontradas”, diz Elaine.

A pesquisa observou que grande parte da resistência dos produtores se dava pela necessidade de investimentos em infraestrutura e tecnologias. “Os produtores estavam acostumados a produzir mudas no chão com um custo até 60% inferior ao das mudas de bancadas, sem tantas exigências sanitárias e de rastreabilidade”, explica a pesquisadora. O trabalho apontou que o modelo de produção é viável para a heveicultura paulista.

Também foram avaliadas as tecnologias usadas pelos produtores. “A intenção do diagnóstico foi observar quem estava tendo sucesso na produção de mudas de seringueira em bancada suspensa, e o porquê desse sucesso, e quem estava tendo dificuldade e identificar as possíveis falhas ocorridas”, afirma a pesquisadora.

Etapas de produção

Elaine explica que a produção de mudas de seringueira em bancadas suspensas segue algumas etapas. A primeira delas é a escolha das sementes. O produtor precisa selecionar os clones que serão usados como porta-enxertos. Depois disso, as sementes são colocadas para germinar de forma suspensa ao chão e em substrato. O produtor deve então escolher as plantas no germinador selecionando os porta-enxertos sem defeitos de raiz e mais vigorosos.

Após esse processo é necessário fazer a repicagem dos porta-enxertos. As plantas selecionadas serão transplantadas em sacolas plásticas, onde serão conduzidas até a comercialização. "A enxertia deve ser feita quando os porta-enxertos atingirem 12 mm de espessura do caule e cinco centímetros acima do solo. Após 21 dias da data em que foi feita e enxertia se retira do fitilho. Após a retirada do fitilho se faz a poda do porta-enxerto. De 40 a 60 dias após a poda, dependendo das condições climáticas, as mudas estarão com lançamento maduro, prontas para serem levadas para o campo, para plantio”, explica a pesquisadora.


Na Agrishow, APTA ensina técnica para viabilizar produção de maracujá

Os fruticultores que visitarem a Agrishow 2018 terão a oportunidade de aprender a técnica de enxertia de maracujá, que ajuda a prevenir a morte prematura, doença que pode causar até 100% de perda das plantas e inviabilizar a produção em áreas contaminadas. Os treinamentos serão realizados na Vitrine Tecnológica para Pequenas Propriedades, no estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. 

A tecnologia desenvolvida no Polo Regional de Adamantina, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), consiste na utilização de espécies tolerantes à morte prematura como porta-enxerto, já que todas as variedades de maracujá azedo existentes são suscetíveis à doença. As pesquisas mostram que a melhor espécie para uso no porta-enxerto é o Passiflora gibertii, conhecido como maracujá-de-veado, e que o método de enxertia mais eficiente é o de garfagem do topo em fenda cheia, com pegamento de até 90%. A técnica pode ser realizada quando as plantas apresentam idade de 40 dias, aproximadamente, e deve ser feita na altura de cinco a 10 cm da região do colo da planta.

Segundo o pesquisador da APTA, José Carlos Cavichioli, a técnica é recomendada para locais com ocorrência do fungo. “Em áreas com o histórico da doença, a produção de enxertado é maior, por não existir morte das plantas. Em condições normais, ou seja, em áreas sem histórico da doença, a produção de maracujazeiro enxertado é menor do que a sem enxerto”, explica.

A técnica proposta pela APTA é usada por 50 produtores da Alta Paulista, região responsável por 25% da produção de maracujazeiro do Estado de São Paulo e que produz cerca de cinco mil toneladas da fruta por ano. Antes de usar a tecnologia os produtores ficavam expostos aos prejuízos provocados pelo fungo, podendo chegar até em 80%, dependendo do nível de infecção. “A tecnologia pode ser adotada em outras regiões do Estado e do País. A cultura do maracujá é interessante para a agricultura familiar, por oferecer o mais rápido retorno econômico entre as frutíferas, e uma receita distribuída pela maior parte do ano”, afirma Cavichioli.

A morte prematura não tem tratamento. Quando afetada pelo patógeno, certamente a planta morrerá. A aplicação de defensivos agrícolas não tem sido uma solução eficiente. De acordo com o pesquisador, a melhor opção para os agricultores é o controle preventivo.

A doença é atribuída à associação de fungos de solo, nematoides e bactérias, que atacam o sistema radicular e que se manifestam e dizimam rapidamente, causando a morte das plantas em plena fase produtiva. “O uso de enxertia tem sido a solução para o plantio em áreas com histórico da doença, locais em que as produções são inviabilizadas por conta dos fungos patógenos presentes no solo”, diz.

Enxertia

Apesar de ser bastante utilizada na citricultura e viticultura, a enxertia ainda é pouco empregada nos plantios de maracujá. A explicação, segundo Cavichioli, é que os produtores ainda não possuem informações suficientes para utilizar a técnica.

“Os porta-enxertos são espécies tolerantes aos patógenos habitantes do solo. Eles servem de base para a instalação de cultivares com características comerciais desejáveis, que está na copa da planta e responde pela produção. Queremos ensinar essa técnica ao pequeno produtor de maracujá, que pode reduzir os danos causados pela morte prematura”, explica Cavichioli.


Produtores conseguem dobrar a produtividade da batata-doce, graças à limpeza das mudas realizada pela APTA

A produtividade da lavoura de batata-doce do agricultor Ronaldo Milani dobrou, após trabalho desenvolvido pelo Polo Regional de Presidente Prudente da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A produção de batata-doce de Milani caia a cada safra devido à ocorrência de vírus. Ao identificar o problema, os pesquisadores da APTA passaram a disponibilizar aos agricultores da região de Presidente Prudente mudas de batata-doce livre de vírus, o que contribuiu para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do tubérculo. Mais de 300 produtores foram atendidos pela APTA. A tecnologia será apresentada na Agrishow 2018, no espaço Vitrine Tecnológica para Pequenas Propriedades, no estande da Secretaria de Agricultura. 

“Eu sempre cultivei batata-doce. Desde que trabalhava com meu pai. Mas começamos a ter problema em 2001 e 2002. A produtividade oscilava muito. Tinha ano que colhíamos 500 caixas por alqueire, em outros duas mil caixas. Além disso, a qualidade ficou muito inferior. Na época do calor, a batata apodrecia em dois dias”, recorda Milani.

 O problema também estava sendo enfrentado por outros agricultores de Presidente Prudente, um das principais regiões brasileiras produtoras de batata-doce, onde foram colhidas 34 mil toneladas em 2016. “Fizemos um levantamento de 2010 a 2012 e constatamos que a maior dificuldade no cultivo apontada por 28 produtores rurais era o controle fitossanitário da cultura; a baixa produtividade foi apontada pela grande maioria dos agricultores”, conta Sônia Maria Nalesso Marangoni Montes, pesquisadora da APTA.

 Os pesquisadores da Agência identificaram, em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que matrizes usadas para o plantio da cultura estavam contaminadas com vírus. “A partir daí, começamos a utilizar a cultura de meristema, um processo para obter mudas livres de vírus, e passamos a disponibilizar essas mudas sadias para os agricultores da região”, afirma.

 Milani foi o primeiro produtor que aceitou testar as plantas livre de vírus em sua propriedade e tem colhido os bons resultados do trabalho científico até hoje. “Minha produção, atualmente, oscila entre duas mil a quatro mil caixas por alqueire, dependendo do ano. Isso é mais que o dobro do que eu estava produzindo”, diz.

 Com o volume elevado, Milani conseguiu melhorar as condições de vida de sua família. “Melhorou tudo... condições de moradia, econômica. Consegui comprar um carro melhor, um trator melhor... sempre para inovar”, conta o produtor, que possui três propriedades, com o total de 40 alqueires, em Montalvão, interior paulista.


“Foi o que nos salvou”, afirma fungicultora sobre tecnologia de produção de cogumelos frescos da APTA

A fungicultora, Aleir Ceclat Rodrigues, mantinha doze estufas para o cultivo de cogumelos Champignon de Paris em Pinhalzinho, interior paulista. Tudo ia bem, até que o Brasil liberou a importação de cogumelos cozidos da China, em 2008. Muito mais baratos, os cogumelos chineses arrasaram a produção nacional. Só em Pinhalzinho, mais de 30 produtores saíram da atividade. No mesmo ano, Aleir conheceu o pesquisador do Polo Regional de Monte Alegre do Sul, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Daniel Gomes, que apresentou a ela e a outros fungicultores da região um novo jeito de comercializar cogumelos: frescos, sem cozimento. A novidade causou estranheza, mas hoje, nove anos depois, Aleir conclui: “Foi o que nos salvou”.

 A tecnologia de produção de cogumelos frescos será apresentada pela APTA na Agrishow, no espaço Vitrine Tecnológica para Pequenas Propriedades, no Estande da Secretaria de Agricultura. “No lugar do produto cozido, sugerimos a venda do cogumelo fresco, in natura. O resultado foi, aproximadamente, 40% mais de lucro aos produtores e um produto com alto valor nutricional para os consumidores”, afirma Gomes.

 “Eu achava que não ia dar certo, que era difícil colher o cogumelo in natura, embalar e vender... tinha certeza que não íamos conseguir”, recorda. Mesmo desacreditando, ela, o marido e dois filhos decidiram aceitar a recomendação e começaram a produzir e comercializar o cogumelo fresco. Afinal, não tinha como enfrentar a concorrência chinesa.

 O pesquisador da APTA, na época, iniciou um trabalho junto aos pequenos agricultores e ensinou cuidados básicos de pós-colheita, como cultivar e colher, orientou sobre o controle orgânico de pragas na cultura e acompanhou de perto todo o processo de produção das propriedades, da embalagem ao processamento. “Foi muito importante também porque a APTA passou a divulgar o cogumelo fresco. As pessoas passaram a conhecer e a querer consumir o produto, que é mais gostoso e mais nutritivo que o cozido”, conta a fungicultora.

 Hoje, Aleir mantém cinco estufas, onde produz cinco toneladas por mês de Champignon de Paris e Portobello, comercializados em São Paulo, Capital. Toda a produção é destinada à comercialização do cogumelo in natura. “Até pouco tempo atrás, ainda dava para fracionar a venda em cogumelo cozido e fresco. Hoje, não dá mais. Para sobreviver na atividade é necessário destinar pelo menos 90% da produção para a comercialização do cogumelo in natura”, afirma.

 O que Aleir conta é muito fácil de perceber nos números. Atualmente, para produzir um quilo de cogumelo cozido, o produtor tem o custo de R$ 15,00 e consegue comercializá-lo a R$ 10,00, no máximo. O cogumelo in natura já teve preços melhores, mas hoje, pode ser vendido a R$ 15,00 o quilo, com o custo de produção de R$ 10,00.

 “Dá mais trabalho produzir o cogumelo cozido e há um gasto para realização do cozimento. Além disso, agora temos uma produção praticamente orgânica. Com as indicações do doutor Daniel Gomes reduzimos os custos com insumos”, comemora.


Textos: Fernanda Domiciano e Giulia Losnak – Assessora de Imprensa – APTA

Contato durante a Agrishow:

Fernanda Domiciano – Assessora de Imprensa APTA

(19) 99269-9138 (com Whatsapp) | (19) 99745-9837 | fdomiciano@sp.gov.br

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