APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

Notícia

 

17/05/2018
Pecuaristas do Acre e de Rondônia participam de treinamento da APTA no sistema do Boi 7.7.7
Pecuaristas do Acre e de Rondônia participaram de treinamento do projeto Pecuária do Conhecimento, desenvolvido pelo Polo Regional de Colina da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e a empresa Phibro Nutrição Animal. O treinamento, realizado em 10 e 11 de maio de 2018, em Colina, interior paulista, reuniu 25 pecuaristas interessados em conhecer o conceito do sistema do Boi 7.7.7, desenvolvido pela APTA, que preconiza a produção de animais de 21 arrobas em apenas dois anos – tempo 30% menor do que os sistemas tradicionais de criação.

Há sete anos, o Pecuária do Conhecimento alia conhecimentos teóricos e práticos para capacitar a cadeia produtiva em práticas eficientes e sustentáveis de produção de gado de corte. No período, foram treinados mais de dois mil pecuaristas, equipes de nutrição animal, consultorias e associações de produtores de todo o País.

Durante os dois dias de treinamentos, os pecuaristas participaram de aulas teóricas e conheceram na prática as deficiências que muitas vezes os animais são submetidos na alimentação em pastagem. No treinamento, os participantes colheram pasto com as mãos, reproduzindo o processo realizado pelo animal e sentiram na pele as dificuldades dos animais em se alimentarem na estiagem. “Entramos agora no período de seca, em que o gado demora mais tempo para pastejar e muitas vezes não consegue obter apenas com o pasto a quantidade necessária de alimento. O produtor deve estar atento para proporcionar uma dieta em que o animal ganhe peso neste período e esteja preparado para a época das águas, em novembro”, explica Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da APTA.

O pecuarista Wilson Peru foi um dos participantes do curso. Produtor de gado de corte de Monte Negro, em Rondônia, Peru diz que os novos conhecimentos poderão auxiliar na criação de suas 1300 cabeças de gado de corte. “Toda vez que participamos de evento como esse aprendemos alguma coisa, levamos conhecimento para nossa região, que ainda é atrasada em termos de tecnologia. Com certeza o que aprendemos neste treinamento ajudará a melhorar a lucratividade da minha propriedade e ajudará no desenvolvimento da minha região”, afirma.

Além de transferir tecnologias e conhecimentos relevantes à cadeia produtiva em uma linguagem simples, o projeto permite a interação entre a pesquisa e o setor produtivo. “É possível conhecermos os problemas enfrentados pelos produtores e suas demandas, que podem ser incorporadas no desenvolvimento de novos projetos científicos desenvolvidos pela APTA”, explica Siqueira.

Flávio Dutra de Resende, pesquisador e diretor do Polo Regional de Colina, compartilha a mesma opinião. Para ele, além de transferir informações, a equipe de pesquisadores está aprendendo com os participantes. “A nossa preocupação é disponibilizar ao consumidor uma carne de melhor qualidade. Para isso, entregamos ao produtor tecnologias que agregam valor ao produto e aumentam a rentabilidade da fazenda”, resume Resende.

Uso de tecnologia é imprescindível

Na avaliação dos pesquisadores da APTA, a incorporação de tecnologias nas fazendas de produção de gado de corte é imprescindível para o sucesso da pecuária. Para eles, não é viável que os pecuaristas continuem produzindo hoje como seus pais e avós produziam.

“Na década de 70, um pecuarista conseguia uma receita de R$ 600 por hectare. Se ele tivesse uma fazenda de mil hectares, sua renda seria de R$ 50 mil por mês. Hoje, nessa mesma área, produzindo da mesma forma, o produtor consegue uma receita de R$ 100 por hectare. Se ele produzir nesses mesmos mil hectares, terá uma renda de R$ 8 mil por mês”, exemplifica Siqueira.

Para mudar essa situação, uma das ferramentas é utilizar a tecnologia do Boi 7.7.7, conceito que estipula uma meta: produzir um animal que atinja sete arrobas na desmama, sete na recria e outras sete na engorda, totalizando 21 arrobas no momento do abate, em dois anos, no máximo. No sistema tradicional de produção são necessários, no mínimo, três anos para o animal atingir 18 arrobas. Além da produção precoce, a tecnologia pode aumentar em 30% os lucros do pecuarista. “Atingir 21 arrobas no momento do abate é uma meta possível. Para isso, o produtor precisa encarar sua fazenda como um negócio”, afirma Siqueira.

A produção de bovinos de qualidade e em tempo 30% menor requer estratégia. Para atingir a meta, é necessário utilizar diversas ferramentas, principalmente, manejo de pasto e suplementação alimentar, que varia de acordo com o peso do animal. A suplementação ajuda na engorda e não causa nenhum prejuízo para a saúde animal. Pelo contrário, proporciona maior bem-estar.

Em uma produção normal, os pecuaristas precisam de três anos para fazer o giro — período entre o início da produção e o abate. Com a tecnologia da Agência, é possível fazer um giro e meio nesse período. Essa precocidade do sistema é importante para toda a cadeia pecuarista. “Tempo é dinheiro. Essa redução no tempo de permanência do animal no pasto aumenta em até 30% os lucros dos produtores”, explica Resende. Apesar de os custos de produção serem maiores, os pecuaristas conseguem produzir mais em uma mesma área e ter produtos com qualidade superior para comercialização.

A redução do tempo de produção também traz benefícios para os consumidores, que podem ter acesso a carnes com melhor qualidade, incluindo sabor e maciez, além de coloração mais atrativa. “O consumidor escolhe o produto na gôndola do mercado pela cor. Quanto mais velha a carne, mais escura, o que gera desinteresse. A carne mais nova é melhor em tudo, em comparação com a velha”, aponta Resende.

A nova tecnologia também traz ganho ambiental, pois a precocidade na produção de gado significa menor emissão de gás metano à atmosfera. “Treinamentos como esse são importantes para aproximar a pesquisa do setor de produção. A transferência de tecnologia e conhecimento auxiliam o produtor a melhorar a renda e a lucratividade de sua propriedade, uma recomendação do governador Márcio França”, afirma Francisco Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA

19 2137-8933

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