Instituto faz análise de plantas
Data da postagem: 24 Agosto 2006
Saiba como e para onde enviar as amostras de vegetais doentes
Para mandar uma planta doente para análise em laboratórios especializados, informe-se bem. Isso porque, para chegar em boas condições no laboratório, o material deve ter sido coletado, embalado, acondicionado e transportado corretamente. "São pequenos cuidados que garantem que o material chegue intacto até o destino", explica a pesquisadora Tereza Jocys, engenheira agrônoma do Instituto Biológico, de São Paulo.
De acordo com Teresa, a falta de cuidados dificulta o trabalho dos pesquisadores responsáveis pela triagem do material, que não sabem se a planta apodreceu por causas naturais ou por alguma doença. Por isso, a primeira recomendação é a de que o material seja enviado o mais rápido possível após a coleta. "Se as amostras chegam ressecadas, elas são devolvidas, pois não há como analisá-las", diz. "Há pessoas que coletam uma formiga, amassam e embrulham em um jornal", conta.
ENTREGAS
As amostras podem ser entregues pessoalmente ou via sedex, mas, independentemente da forma de envio, é preciso ter os mesmos cuidados. "Se a pessoa mandar por sedex, ela deve, de preferência, fazer isso no início da semana, para evitar atrasos comuns dos fins de semana", diz Teresa. "Se o material for levado pessoalmente, melhor, pois a amostra já é avaliada na hora da entrega." Se houver demora no envio, mantenha a amostra em local refrigerado.
DADOS AGRONÔMICOS
Muitas das amostras recebidas pelo Biológico, diz Teresa, são de frutas. Nesse caso, o conselho é, com bom-senso, selecionar alguns frutos e mandá-los para avaliação. "Se o problema for com melancia, o envio de uma unidade é o suficiente. Frutas menores, como maçã, laranja e goiaba, podem ser enviadas em maior quantidade", diz.
Se for uma árvore grande, a dica é coletar um fruto em cada ponto cardeal e observar a região onde há frutos mais e menos atacados. "Isso facilita o diagnóstico, pois algumas doenças são favorecidas pela falta ou pelo excesso de sol, por exemplo."
Conforme Tereza, todas as informações relacionadas ao problema são fundamentais, como práticas culturais empregadas, aplicação ou não de defensivos químicos, sintomas, porcentagem de plantas doentes, tempo de aparecimento do problema, área cultivada, tipos de lavouras próximas, etc. A omissão de qualquer informação pode retardar o diagnóstico e até custar o desenvolvimento da planta.
Conservação é fundamental
A integridade do material coletado é fundamental para que o laboratório possa analisar de maneira eficiente as amostras recebidas. Por isso, para facilitar a classificação das remessas, laboratórios separam os materiais por tipo de doenças. "No Instituto Biológico, há materiais com suspeita de doenças fúngicas, materiais com suspeita de infecção por bactérias e por insetos", afirma a pesquisadora Teresa Jocys. As amostras devem ser resfriadas, nunca congeladas, embaladas e acondicionadas corretamente e identificadas. "Quanto maior o número de informações e de amostras, maior a possibilidade de obter resultados conclusivos." Tereza ressalta que todo o material enviado deve ser rotulado e que informações como local de coleta (sítio, fazenda, chácara, quintal, apartamento, cidade, Estado), hospedeiro e data de coleta são imprescindíveis para a eficiência da análise. "Quanto mais dados, mais subsísio o laboratório terá para emitir o laudo." O principal, diz, é ter atenção na hora da coleta, da embalagem e da remessa, pois o laboratório quer o material o mais fiel e conservado possível.
Tipo de embalagem varia Conforme a doença
O manuseio do material para análise varia de acordo com os sintomas. Para materiais com suspeita de doenças fúngicas, deve-se enviar o material logo no início do aparecimento das anormalidades. "Pelo correio, deve ser acondicionado em papel jornal e nunca em sacos plásticos, que favorecem a proliferação de outros fungos e bactérias, que podem mascarar o agente causador da doença."
Outra dica é, se houver amarelecimento da planta, murcha ou queda foliar acentuada, enviar também parte da raiz.
Se houver suspeita de infecção por bactérias, a amostra deve ser guardada em caixas de papelão, tomando cuidado para que não se danifique no transporte. Plantas de pequeno porte são remetidas inteiras, com as raízes; em plantas maiores as amostras podem ser partes dos ramos, que devem ter suas bases envolvidas em algodão embebido em água. Antes de colocá-las em caixas de papelão, guarde-as em sacos plásticos.
INSETOS
No caso de insetos, o conselho é manuseá-los com pinças e luvas. "É importante não tocá-los diretamente, pois há riscos de eles serem urticantes, além de evitar picadas." Conforme Teresa, os insetos adultos devem ser guardados em recipientes de plástico, com álcool. "Insetos na fase jovem (larvas, lagartas, ninfas) devem ser enviados vivos, para que atinjam a idade adulta, quando, então sim, é possível a identificação", diz Teresa, acrescentando que, nesse caso, uma porção de substrato (terra, folha, galho, etc.) onde o inseto está se criando também deve ser enviada, "o que servirá para a obtenção do adulto."
SAIBA MAIS:
IB, tel. e Fax (0--11) 5087-1789 e site: www.biologico.sp.gov.br